Entrevista com M.Matiazi: autora da saga O Feiticeiro

Talento e simpatia descrevem a entrevistada da semana do Eu Fã. Entrevistamos a escritora e ilustradora curitibana, Marina Gimenes Matiazi, conhecida como M. Matiazi. Ela é escritora dos livros Três e do Feiticeiro Volume 1 – O estrangeiro – primeiro livro dessa saga. Além disso, ela trabalha como ilustradora freelancer desde 2011 com clientes espalhados pelo mundo todo.

Autora e Obra

 

Entrevista

 

Eu Fã: Quando percebeu que o seu destino era ser escritora?

M. Matiazi: A minha maior diversão na infância era ver desenhos e imaginar como seria um personagem meu naqueles universos (eu não sabia que existia fanfiction). O problema é que depois eu queria fazer um personagem interagir com o outro, aí comecei a bolar um universo próprio onde todos coubessem. Era uma brincadeira, uma forma de exercitar a imaginação, criar histórias, desenhar aquilo da melhor maneira possível.

Tudo foi evoluindo com o tempo, tanto o desenho, quanto os personagens e suas motivações, quanto o universo em si. Por isso alguns personagens têm mais de 20 anos de idade. Eu não lembro como eu era antes de tê-los criado. Só nos últimos anos tomei coragem de publicar, finalmente. Então acho que sempre fui escritora, mas hoje em dia eu sou uma escritora “decente”, madura o suficiente para ser lida.

Eu Fã: O Feiticeiro Volume 1 – O estrangeiro – é seu segundo livro, já que 2012 você publicou o livro Três. Este que na narrativa se passa em um período de mil anos antes do livro O Feiticeiro. Gostaríamos de saber se quando você teve a ideia para o livro Três você já havia pensado na saga do Feiticeiro.

M.Matiazi: A história narrada no livro Três surgiu, na verdade, como um conto que era famoso dentro da saga do Feiticeiro. Uma história que todo mundo conhecia (em diferentes versões) tanto nas rodas de conversas dos magos quanto de seus inimigos. Quando decidi que já estava na hora de publicar alguma coisa, porque já escrevia há uns quinze anos – chega, né? – eu sabia que a dificuldade de conseguir uma editora já com uma saga e sem ter publicado nada antes era imensa. Então peguei essa história menor e desenvolvi, dando origem ao Três, para conhecer o mercado editorial e para perder o medo de apresentar meu mundo doido para o público de uma vez. Não foi fácil!

Eu Fã: O que a motivou a escrever o livro O Feiticeiro: Volume 1 – O estrangeiro? E como surgiram as ideias para escrever esse livro?

M.Matiazi: É difícil de acreditar para quem já leu o livro, mas o Andy Mideline, protagonista do Feiticeiro, surgiu como vilão de outra saga – que pretendo lançar logo também. A história dele surgiu como um único capítulo chamado “Andy – O Feiticeiro” onde um personagem contava a história dele para outro, tentando entender as motivações dele. Era para ser bem por alto! Acontece que o negócio foi se desenvolvendo tanto que não cabia mais em um capítulo. Logo não cabia nem em um livro só! Acabei abandonando momentaneamente o outro livro e contando a história dele primeiro.

Eu Fã: De onde vêm os personagens? De alguma forma se relacionam com alguém que você conhece?

M.Matiazi: Meus personagens surgiram, a maior parte deles, há tanto tempo que eu não lembro muito bem o que os inspirou. Alguns foram criados depois de ouvir alguma música. Lembro que o álbum “Queen II” do Queen me inspirou muito, pois ele tem uma atmosfera mágica e cada música conta uma história. Eu tinha 14 anos e fui à loucura! Elf, Rainbow, Cream… essas bandas dos anos 60 e 70 têm muito material de inspiração para quem gosta do universo mágico.  Fora que a única coisa que me afastou por um tempo da escrita foi o período que me envolvi completamente com música. Tive bandas de música própria, algumas composições, sempre quis abraçar tudo dentro da arte e acabava não concluindo nada. Me concentrar e concluir os livros foi um marco na minha vida!

Mas, voltando, não tem ninguém real que tenha relação com meus personagens.  Mesmo porque uso a escrita para fugir da realidade. No máximo eles materializam sentimentos, frustrações e ideais, mas é tudo de dentro de mim mesmo. E depois que eles criam vida eu já não mando em mais nada!

Eu Fã: Quanto tempo foi preciso para escrever o volume 1 dessa saga? E quantos livros você pretende escrever?

M.Matiazi: Faz pelo menos 15 anos que eu escrevo a saga. Serão, pelo meu planejamento, seis volumes no total.

Eu Fã: Dedica quanto tempo à escrita por dia?

M.Matiazi: Isso varia mais do que deveria. Em geral eu faço “maratonas” de produção. Quando eu coloco um prazo eu escrevo muito para cumprir. Durante o tempo que não escrevo eu fico planejando as cenas na cabeça. Não gosto de ter ideias na frente da tela, me trava um pouco. Geralmente chego com cena pronta e só escrevo.

Eu Fã: Gosta de escrever em silêncio absoluto ou preferem ouvir música enquanto escreve?

M.Matiazi: Gosto de música, mas não pode ser música muito boa, senão paro de escrever para cantar junto (risos). Geralmente é música instrumental, trilha sonora de filmes, depende da cena.

Eu Fã: Quais escritores, nacionais ou internacionais, te influenciam?

M.Matiazi: Gosto muito de Marion Z. Bradley, Anne Rice, Edgar Allan Poe, Franz Kafka, Carlos Ruiz Zafón, Khalil Gibran, George R. R. Martin.  Além de quadrinhos, filmes, músicas, qualquer tipo de arte me influencia.

Eu Fã: Mesmo já tendo um livro publicado você buscou o financiamento coletivo do Catarse. Conte-nos quais os motivos que a levaram a isso e quais os benefícios que esse meio proporciona.

M.Matiazi: Eu publiquei por uma editora que imprime por demanda, que jamais fez uma tiragem grande do meu livro, então o preço de cada exemplar fica um pouco salgado. Mas, para uma escritora estreante com um livro curto, valeu apena.

Só que como meu segundo livro era 4 vezes maior que o Três, com certeza o sairia caro demais. Sabemos que o brasileiro ganha pouco e não é lá o maior leitor do mundo, seria injusto oferecer um livro caro demais, ninguém iria comprar, e com razão. Ou eu arranjava um jeito de oferecer um livro barato, ou ficava enviando originais para editoras maiores até, algum dia, alguma me responder – e provavelmente com um “não”.

Eu tinha pressa, por ter ficado tantos anos escrevendo, sabia que tinha um material legal e queria que lessem logo. Tinha apoiado muitos projetos no Catarse e ficado muito satisfeita, resolvi tentar a sorte e deu super certo. Ofereci também um artbook com ilustrações, porque minha maior base de contatos me conhecia pela ilustração e não pela escrita. Acabei publicando dois livros pelo “preço” de um, saíram lindos e baratos e acho que o pessoal gostou bastante do custo-benefício.

Eu Fã: Como um leitor faz para adquirir seus livros? Ambos já estão disponíveis em qualquer site de venda de livros na internet?

M.Matiazi: Você pode adquirir o Três pela Livraria Cultura. O Feiticeiro – Vol 1 e seu artbook podem ser comprados direto comigo (clique aqui) e o e-book do Feiticeiro está disponível na Amazon.

Eu Fã: Além de escritora, você também é ilustradora e esse ano irá lançar sua primeira grafic novel e participará de dois grandes eventos nacionais. Como você descreveria a emoção de está dando mais esse passo em sua carreira?

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M.Matiazi: Nossa, estou super empolgada! Nunca achei que tivesse técnica o suficiente para encarar a produção de uma história em quadrinhos, mas tem uma hora que a vontade ultrapassa o medo. No fim das contas está saindo algo melhor do que eu imaginava. A história que será contada nessa Graphic Novel acontece entre o livro Três e o Feiticeiro, conta a origem de outro personagem importante. É terror, para variar. Adoro! Haha. Estou contando com a ajuda de uma grande amiga para fazer a colorização e dar conta do prazo, já que a Bienal de Quadrinhos de Curitiba acontece já em setembro. Ter sido selecionada também para a Comic Con Experience em São Paulo foi uma surpresa e tanto, ainda mais em um ano de record de inscrições!

Eu Fã: Por fim, gostaríamos de pedir um conselho para as pessoas que estão começando a escrever um livro. O que você diria a elas?

M.Matiazi: Eu diria que a sua maior motivação deve ser a história que você quer contar. Antes de pensar em vendas, em reconhecimento. Não deixar você, o ego, ultrapassar sua história. E leia muito, se instrua, saiba usar as palavras, elas são sua ferramenta. Todos que desenham, que tocam instrumentos, tiveram anos e anos de treino para conseguirem tirar alguma arte dali. Com a escrita é a mesma coisa. Descubra o que te encanta em um texto, estude técnicas, formas de conseguir o melhor impacto ao relatar uma cena, e, principalmente: tenha cenas boas para oferecer! Ofereça ao leitor algo do que se lembrar depois, algum frio na barriga. Não precisa ser uma história de ação para fazer o leitor ficar tenso, de qualquer tema pode se extrair boas cenas. Ofereça emoções, se emocione escrevendo. Seu livro tem de ter alguma razão de existir, muito além de “porque eu quero ser escritor”. Não tenha pressa, fermente tudo, deixe amadurecer. E também, não espere estar “perfeito” para publicar alguma coisa. Nunca estará. Se esforce, faça seu melhor, mas aceite que o acerto só vem depois de muitos erros. Ou a gente aceita isso ou nunca publica nada!

E aí gostou da entrevista com a escritora e ilustradora, M.Matiazi? Quer saber mais sobre seu trabalho? Confira suas redes sociais:

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E-mail: marinagimenes@gmail.com
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Instagram: @mamatiazi

Pâmella

Curiosa demais, não é à toa que virou jornalista. Ama livros, filmes, séries e sabe que “o inverno está chegando”.

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Pâmella

Curiosa demais, não é à toa que virou jornalista. Ama livros, filmes, séries e sabe que “o inverno está chegando”.

  • Marcel

    Muito boa entrevista, adorei! Já sou fã!

    • Pâmella

      Fico feliz que tenha gostado, Marcel :D. A M. Matiazi é muito talentosa mesmo. Em breve teremos outras entrevistas com outras escritores nacionais.