Entrevista com a Behold Studios: Desenvolvedora de Chroma Squad

Entrevistamos a empresa brasileira Behold Studios, a responsável pela criação de Chroma Squad.  Game que resgata os sentimentos nostálgicos dos clássicos sentai da TV japonesa. Confira a entrevista inédita.

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Eu Fã – Por que o jogo se chama Chroma Squad?

Behold Studios – No início não tínhamos nome. Só chamávamos de projeto ‘sentai’, ‘super sentai’ e coisas desse tipo. Então fizemos brainstorm por semanas pra conseguirmos criar o título. Demorou pra sair Chroma Squad. O Chroma é de Chroma Key e Squad é de Esquadrão, grupo de heróis como Gokaiger, Shinkenger, etc.

Eu Fã – Quanto tempo levou seu desenvolvimento?

Behold Studios – Durou 2 anos.

 

Eu Fã  – Quais foram as principais dificuldades na produção do game?

Behold Studios – O crowdfunding foi um desafio. Um projeto no Kickstarter exige atualizações constantes, suporte e manutenção da comunidade. Mesmo assim o Kickstarter foi fundamental para que tivéssemos motivações e novas ideias a todo momento. O próximo projeto já não será com Kickstarter.

Eu Fã – Que tipo de influências teve o jogo?

Behold Studios – Muita gente chega curiosa por causa do sucesso dos Power Rangers, então essa é a primeira associação. Mas o jogo vai muito além disso, essa já é uma cultura muito antiga no Japão.Nós fomos direto na fonte dos super sentai e tokusatsu japoneses. Tivemos influências de ‘Samurai Sentai Shinkenger’, ‘Kaizoku Sentai Gokaija’, ‘Taiyo Sentai Sun Vulcan’, ‘Kamen Rider Black’ e também ‘Mighty Morphin Power Rangers’, mais precisamente a primeira (e a mais clássica) temporada da série, que foi baseada no sentai ‘Zyuranger‘. Interessante destacar que a base para o pontapé inicial da história de dublês que se tornam a atração principal de um show, veio do seriado ‘Cybercops – Os Policiais do Futuro’, pois em Cybercops, os atores que interpretavam os heróis eram dublês profissionais. Temos também outras referências e piadas espalhadas pelo jogo, não só em relação a sentai, mas também a cultura pop em geral.

Eu Fã – De onde veio a ideia de gerenciamento e personalização?

Behold Studios – Essa ideia veio espontaneamente enquanto conversávamos entre nós sobre esse tema que estava em alta e que seria um jogo divertido de fazer. As mecânicas do jogo foram surgindo depois, quando tivemos nossas longas discussões de como poderia ser o jogo. Pensamos em um jogo como Knights of Pen & Paper que resgata a essência dos RPGs antigos. Um boa evolução natural do sistema de combate baseado em turnos, seria construir um jogo com batalhas táticas. Daí misturamos o RPG Tático, os sentais, e o nosso jeitinho Behold de fazer jogos.

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Eu Fã  – Por que uma arte em “8 bits”?

Behold Studios – É um estilo mais old school, que combina com a proposta do jogo. A ideia do jogo era ser nostálgico, e trazer a lembrança tanta dos super heróis japoneses dos anos 90 quanto o estilo de jogo da época. Nós escolhemos esse visual pra fortalecer a marca do jogo.

Eu Fã – Era aguardada tamanha repercussão, já que o jogo tem conquistado tantos prêmios?

Behold Studios – Até mesmo antes de ser lançado ele já estava recebendo indicações e prêmios. Então não foi algo completamente inesperado. O próprio Kickstarter já foi também uma indicação do interesse que as pessoas tinham no jogo. Nós curtimos toda essa a jornada, não apenas o destino final. Estamos felizes de poder criar algo novo e fazer as pessoas rirem com nossos jogos. É muito gratificante ver as pessoas se inspirando nos nossos heróis fictícios pra se motivarem na vida real. No fim das contas nosso sucesso verdadeiro acontece quando sentimos que não deveríamos estar fazendo outra coisa, que estamos fazendo a coisa certa e nos sentimos completos.

Eu Fã  – De que forma o jogo foi adaptado para diversas plataformas, tendo uma mecânica, evidentemente, voltada para PC’s?

Behold Studios – As novas verões devem chegar nos próximos meses com algumas alterações para melhorar a jogabilidade. Serão algumas mudanças nas mecânicas, ajustes para se adequar às telas, controles, menu, interface e alterações nas Mecha Fights contra monstros gigantes, para se tornarem mais atrativos aos players.

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Eu Fã  – Como o estúdio imagina uma sequência para Chroma Squad?

Behold Studios – Tudo depende do sucesso pra continuarmos fazendo updates pro jogo depois de lançado, como foi o Knights of Pen and Paper. Nós fizemos, se não me engano, 3 grandes updates pra ele, de graça pra comunidade. Podemos vir a fazer algo parecido com o Chroma Squad se os feedbacks continuarem positivos.

Eu Fã – Como é fundar uma empresa de jogos?

Behold Studios – Abrir uma empresa é um desafio. Você fica 24 horas por dia pensando na sua empresa, tentando achar de fato boas ideias para que ela dê certo. São muitas dificuldades, mas o empreendedor tem que ter uma coisa na cabeça: Você não pode apenas esperar resultados, tem que curtir a viagem de se fazer uma empresa. Tem que curtir a aventura de correr riscos todo dia e de estar constantemente buscando equilíbrio financeiro e uma harmonia dentro da empresa. Quem busca o resultado vai se frustrar. Em 2009 a Behold começou na incubadora do CDT/UnB. O objetivo no começo era fazer uma empresa de Advergames e Serious Games, mas depois mudamos o nosso foco pra jogos indies, mais autorais e com um perfil artístico, menos focado no mercado e no dinheiro, e mais focado na paixão de se produzir jogos. Hoje tem tudo dado muito mais certo.

Eu Fã  – Como funciona a dinâmica de produção na Behold Studios?

Behold Studios – Temos uma rotina de produção constante. São diversos desafios diários, de programação, de arte e comunicação externa. Todos estão a par do estúdio como um todo, possibilitando que os diferentes pontos de vista contribuam para soluções melhores.Usamos diversas ferramentas que nos auxiliam no processo de desenvolvimento, como softwares de arte, de projeto, de código, dentre outros, e elas fazem parte constante do nosso dia a dia.

Eu Fã  – Como é manter a produção de jogos indie no território nacional?

Behold Studios – A indústria de jogos no Brasil está muito bem. Mesmo assim, se comparado aos internacionais nosso trabalho aqui ainda não é muito bom. Mas eles já estão há 20 anos na nossa frente. O que nos falta ainda é experiência e vivência.

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Eu Fã – Que tipos de incentivos governamentais deveriam ser implantados para o reconhecimento de estúdios independentes?

Behold Studios – Temos viajado o mundo todo para mostrar nossos jogos, e cada vez que conhecemos outros indies developers, percebemos que o pouco incentivo dos governos é algo sempre presente. A ralação desse pessoal também é grande. É uma coisa inerente de se querer construir o seu próprio sonho. Não existe caminho fácil.
Produzir Games no Brasil não é difícil por causa de governo, e sim porque o brasileiro ainda está aprendendo a fazer jogos. De qualquer forma ultimamente o governo tem acordado um pouco pra isso e algumas iniciativas já estão dando frutos.

Eu Fã  – Qual a importância do Kickstarter para os desenvolvedores?

Behold Studios – Antes de mergulhar de cabeça no projeto nós queríamos primeiro testar o conceito do jogo. Precisávamos saber se a temática ia agradar o público. Então o Kickstarter foi fundamental pra fortalecer e entender essa comunidade por trás do jogo.

Eu Fã  – Qual a dica que a Behold Studios deixa para quem sonha em criar seu próprio jogo?

Behold Studios – Faça projetos sensatos e os termine! Nosso grande diferencial hoje no Brasil é que nós terminamos nossos projetos. Parece até algo muito simples, mas grande parte das empresas de jogos que conheço no Brasil, quase nenhuma consegue terminar e lançar os jogos. Claro, que uma vez que termine e lance um jogo, parta para um próximo, aprendendo com os erros do anterior. Assim, teremos jogos de qualidade em pouco tempo sendo lançados também.

 

O Eu Fã agradece de coração a equipe da Behold Studios por toda atenção e dedicação.

Felipe Amaral

Aspirante a game design, adepto ao culto lovecraftiano, amante de livros, games, cinema e HQ’s. Guarda uma cópia autografada do Necronomicon na estante.

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