Blind – E02

Antes em Blind

Procurando por descanso e um tempo com a família, Eduardo planejou uma viajem a ilha paradisíaca de Armir. Tudo parecia bem até que o fim de noite começasse a se tornar um inferno.

 

19H

Luana perdeu a cabeça com Federico, pois o menino não a deixava digitar suas mensagens. A jovem conversara incansavelmente com todos os seus “amigos” e seu pequeno irmão era um empecilho em sua vida social.

– Para de ser chato, vai brincar – disse ela enquanto ele a observara.

– Quero subir – o menino choramingava em busca de atenção.

– Você é um encosto – ela pressionou o botão lateral do celular e após a tela apagar levantou-se e

arrastou o menino pelo braço até que alcançassem a porta do elevador.

Luana a pressionou o botão tantas vezes que acabou chamando a atenção de um dos seguranças do hotel.

– Algum problema, mocinha? – disse ele com um sorriso em seu rosto.

– Não senhor, estamos voltando para o quarto.

– Ótimo, só precisa apertar o botão uma vez – o segurança virou-se mas ainda observara o rosto emburrado de Luana.

Eduardo estava perplexo com a figura sombria devorando o que parecia ser sua esposa. A pele aglutinada nas mãos do homem chegava a vazar entre seus dedos, e aos poucos o sangue surgia banhando o carpete de cor carmim. Mesmo após o grito de Eduardo a cena sanguinária não havia cessado, mas a cabeça do estranho virou-se para fixar seus olhos amarelos em Eduardo.

– Quem é você? – a voz de Eduardo tremulava enquanto ele assistia o sangue saltar dos lábios do homem.

Após olhar em volta Eduardo agarrou um suporte de luminária que estava ou seu lado e como um movimento que simulara uma espada lançou contra a “criatura”. Sem nenhum efeito o estranho largou a carne ensanguentada em suas mãos e começou a caminhar até Eduardo.

19H10

Frederico e Luana estavam impacientes dentro do elevador, e em alguns instantes era possível perceber a iluminação falhando. Segundos depois Luana e Federico saem do elevador, caminhando pelo corredor os dois escutam passos apressados e um grito logo em seguida.

– Voltem! – era Eduardo no final do corredor.

– Saiam daqui.

Os dois se olharam e do elevador uma mulher de pele pálida surgiu com um liquido viscoso em seus lábios. Luana envolveu Federico em seus braços e o lançou na direção de seu pai, mas subitamente a mulher já havia alcançado um de seus braços. Os olhos da mulher brilhavam com se holofotes vermelhos iluminassem o rosto de Luana, e foi quando a escuridão chegou.

20H

Abraçado com Federico, Eduardo já havia descido dois lances de escadas, pensava em encontrar um local seguro para que pudesse deixar seu filho e voltar para buscar Luana. Mesmo com todo cuidado era quase impossível prever o próximo degrau perdido em tamanha escuridão. Eduardo avistou uma pequena luz vermelha, que possivelmente poderia ser alguém tentando se localizar. Então os dois correram tomando muito cuidado para que um passo errado pudesse significar o fim de suas vidas. Ao alcançarem o corredor do andar inferior, perceberam que uma mulher estava encostada sobre a porta do que provavelmente era seu quarto.

– Olá? – Sussurrou Eduardo.

– O quê? Saia de perto – a mulher levantou-se desesperada.

– Moça, eu preciso de sua ajuda.

– Minha esposa foi atacada por alguma coisa – prosseguiu Eduardo.

– São demônios, eles engoliram minha filha. Um bebê – a mulher estava aos prantos.

Eduardo se aproximou da mulher e continuou: – Ouça, preciso de sua ajuda para buscar minha filha.

Os olhos desesperados da mulher logo ficaram vermelhos com as luzes de emergência que se acenderam.

– Erica… – disse ela após respirar fundo algumas vezes.

– Me chamo Erica.

Os três subiram novamente as escadas iluminados pelo vermelho mesclado da escuridão. Eduardo e Federico caminhavam cautelosamente na frente enquanto Erica vinha logo atrás, espantada com cada som que ouvira.

20h15

Um lado do corredor estava vazio enquanto no outro um corpo encontrava-se estirado no chão. Eduardo preocupado com o que fosse Luana ferida esperando por ajuda, correu evitando criar sons com seus pés descalços.

– Luana – sussurrou enquanto se aproximava do corpo.

– Pai? – era Luana confirmando ser ela.

Eduardo rapidamente socorreu a jovem que estava com seu braço gravemente ferido.

– Pai! – Um grito partiu de onde estavam Federico e Erica.

Mas já era tarde quando Eduardo direcionou sua atenção.

 

Continua…

 

Felipe Amaral

Aspirante a game design, adepto ao culto lovecraftiano, amante de livros, games, cinema e HQ’s. Guarda uma cópia autografada do Necronomicon na estante.

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