Blind – E01

10h

No começo do dia Eduardo aguardava com sua família a chegada de um navio para uma viagem que haviam planejado por muito tempo. A esposa de Eduardo, Alexandra Carmazio e seus dois filhos, Federico e Luana, estavam ansiosos para chegarem à ilha paradisíaca de Armir. Um local muito bem falado com diversas atividades e hotéis de ótima qualidade. Às duas e vinte cinco da tarde o navio surgia no horizonte e rapidamente alcançou as docas, Eduardo e sua família após todo o tempo de espera embarcaram lentamente graças ao peso das malas e os apetrechos de mergulho carregados pelo menino Federico. Luana estava impaciente com vento, pois este era um grande empecilho quando o assunto era manter seu chapéu de praia preso à cabeça.

16h

Em poucas horas eles já haviam chegado à ilha, a beleza do local prendeu a atenção de todos, que ficaram por um longo tempo fitando a infinidade de árvores dos mais diversos tipos. Alugaram um quarto e em segundos já haviam se enturmado com algumas pessoas do hotel. A tranquilidade de Eduardo só foi interrompida quando pegou Luana aos beijos com um estranho, em um corredor sem saída.

– Parem com isso, o que pensa que está fazendo, Luana? – Luana estava na faixa de seus 15 anos e o homem aparentava ser quase 4 anos mais velho do que a menina. Eduardo agarrou a garota pelo braço e a arrastou até o quarto, mas seus olhos não desgrudaram do rosto meticuloso do rapaz, que sorriu ironicamente. Com o problema parcialmente resolvido e, após Luana trocar de roupas, a família se dirigiu até o salão de festas.

18h

A noite cobria o céu como em um filme californiano, Eduardo resolveu descansar para que pudesse voltar mais tarde e aproveitar as atividades noturnas na ilha. Levantou-se da mesa quase tomada por um ornamento de flores exagerado, e procurou com os olhos apertados para ver se encontrava Alexandra. Um homem gritou e gargalhou como uma metralhadora o que chamou a atenção de todos no salão.

– Vejam o céu vermelho. – Eduardo perdeu rapidamente a atenção, pois não daria atenção a um maldito bêbado. Desceu até o piso principal onde Federico se divertia com outras crianças nos videogames, e Luana encontrava-se em uma cadeira reclinável com os pés sobre um puff, digitando loucamente em seu celular. Então ele cogitou a ideia de que sua esposa poderia ter voltado ao quarto. Subiu pelo elevador e caminhou até o quarto, ao empurrar a porta encontrou Alexandra retocando sua maquiagem, ela o encarou com um sorriso.

– Acho que não vou descansar, não é? – Eduardo percebeu que haviam roupas dispostas sobre a cama, e sua mulher trajara apenas um robe rosa envolvido com fitas de cetim.

– Não pensa em ficar aqui, não é? – Disse ela com uma das mãos na cintura.

– Tudo bem – Eduardo pegou sua toalha sobre a porta e entrou no banheiro.

Alguns minutos se passaram e Eduardo saiu do banheiro enrolado com a toalha de banho e de pés descalços no chão. Para sua surpresa um homem estava no quarto, não se parecia com ninguém que ele havia conhecido, era alto e tinha cabelos loiros. O intruso estava sobre Alexandra mastigando algo que se parecia com um intestino, aglutinado e brilhante, com sangue escorrendo em suas mãos e, o tecido do abdômen preso em seus dentes.

– Pare com isso! – Eduardo gritou desesperadamente.

 

Continua…

 

Felipe Amaral

Aspirante a game design, adepto ao culto lovecraftiano, amante de livros, games, cinema e HQ’s. Guarda uma cópia autografada do Necronomicon na estante.

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