Analisando: Saint Seiya – Os Cavaleiros dos Zodíaco

Em 1986, o mangaká Masami Kurumada trouxe ao mundo um dos maiores sucessos dos mangás e animes (quadrinhos e desenhos animados japoneses) de todos os tempos. O mangá Saint Seiya (nome original da série no Japão), nos apresenta o enredo no qual adolescentes em armaduras místicas devem lutar ao lado da reencarnação de Athena. Deusa grega da estratégia, do conhecimento e da sabedoria.

Neste artigo decidimos tratar sobre uma camada disposta de maneira segmentada durante o desenvolvimento desta fantástica história. Por mais que seja julgada pelo contexto infantil e a pouca coerência histórica, Saint Seiya ainda é uma marcante evidência de simbolismos sociais.

Os Cavaleiros de Atena

Os cavaleiros Seiya de Pégasu , Shiryu de Dragão, Hyoga de Cisne, Shun de andrômeda e Ikki de Fênix são considerados os protagonistas da série. Mas cada um destes personagens têm uma representatividade sobre o contexto da obra.

Seiya, o pégasu

Pode ser uma representação incomum do temor ao fracasso. Durante a história o personagem está disposto a enfrentar qualquer dificuldade, procurando romper seus limites e derrotar todos inimigos. É perceptível sua busca pelo combate mesmo que o oponente não represente tamanho perigo. Com isso, podemos identificar a breve relação que o principal herói tem com o país de origem de seu criador, a grande dedicação dos japoneses em qualquer tipo de assunto.

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Se há uma coisa que deveria-se deixar para os homens que perderam tudo, é a esperança. – Seiya

Shiryu, o dragão

Assim como seu amigo, tem coragem e dedicação em seus atos. Mas sua maior importância talvez seja sua utilidade como base para o crescimento de todos os demais personagens, sendo um guerreiro desafiador e um inteligente estrategista. O respeito pelo próximo é o pilar principal em todas as suas atitudes, o que novamente remete ao povo japonês e sua alta capacidade cognitiva voltada tanto para o conhecimento quanto para a sabedoria.

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Poucas pessoas conhecem a beleza deste mundo… poucas pessoas a protegem… – Shiryu

Hyoga, o cisne

É uma crítica direta a guerra, pois inicialmente quando ele foi até A Guerra Galática, acreditava piamente uma resistência aos demais, o que pode ser relacionado ao exército Japonês na segunda guerra mundial. Mas a maior fraqueza de Hyoga era o coração, que encontrava-se destruído pela perda de sua mãe. O que novamente podemos nos lembrar do sofrimento do povo Japonês quando atacados com a bomba atômica.

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Houve um tempo em que eu amaldiçoei o meu destino, mas agora eu agradeço a Deus por ele me deixar viver ao mesmo tempo em que meus amigos. – Hyoga

Shun, o cavaleiro de Andrômeda

Pode ser entendido como uma cicatriz. Assim como Andrômeda na mitologia, que foi dada como sacrifício para salvar seu povo. Shun se mescla perfeitamente com sua constelação protetora pois sua sensibilidade transforma situações de conflito, resultando frequentemente em paz.

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Verdade… eu me pergunto quanta gente haverei de machucar… a justiça não é uma desculpa. – Shun

Ikki, a fênix

O mais forte de todos os cavaleiros que inicialmente seu poder era alimentado pelo ódio e a vingança, sendo ao longo da história convertido em um devoto de Athena. Ikki talvez seja a figura mais equilibrada em Saint Seiya, pois conseguiu viver e transgredir entre a dor e a paz conhecendo os dois lados de sua alma. O que não justifica seus atos, mas apenas enfatiza a humanidade do personagem. A imortalidade de sua constelação pode se referir a sua capacidade de encontrar melhores caminhos. O que também explica as aparições inesperadas em locais inacessíveis.

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Quando você quer falar de coração e sentimentos, quando suas entranhas estão podres – Ikki

Os cavaleiros negros, Yin e Yang

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Logo no início da obra somos apresentados aos cavaleiros negros que foram trazidos por Ikki da Ilha da Rainha da Morte, esses são cópias exatas dos quatro principais protagonistas. E como a ilha era considerada por Ikki um purgatório infernal na terra, ele decide ser o regente do julgamento de seus futuros amigos. Portanto, após uma batalha entre os cavaleiros de Athena e os cavaleiros negros, constatando que Ikki foi apenas uma força de reumanização aplicada aos demais protagonistas.

Uma teoria citada na psicologia Junguiana pode ser comparada ao crescimento interno dos personagens neste ato, onde nenhuma figura é totalmente dotada de bondade. O excesso desta pode atrair uma grande insatisfação pessoal. Não quer dizer que devemos ser maus, mas aprender e evoluir com nossos erros e acertos, respeitando nossos desejos em comunhão aos direitos alheios.

Athena, ou apenas Saori Kido

Como foi exemplificado acima, Athena também se encaixa no distúrbio do equilíbrio entro o bem e o mal, mas numa escala muito maior. Todos acontecimentos no desenrolar do enredo, os desafios enfrentados por Saori  podem ser simplesmente ser o bem contido em Athena reagindo para que haja um equilíbrio.

O mal neste caso pode levar dano físico e oposição filosófica, pois é visível a divergência de opiniões entre os dois lados. Saori Kido pode ser considerada como o “bem” necessário para restaurar a paz, no caso em que mundo se encontra mergulhado em maldade. Como se trata de uma deusa, sua posição única explica a quantidade de guerras ocasionadas. Ou seja, talvez a causa de todas os conflitos seja a própria existência de Athena.

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Está foi uma análise posicional sobre a criação e o envolvimento dos personagens. Contudo Os Cavaleiros dos Zodíacos pode ser uma experiência pouco recomendada para adultos, pois infelizmente a obra clássica parece datada. Mas é uma ótima oportunidade para que crianças aprendam tudo sobre altruísmo, dedicação e autoconfiança.

Então você acha mesmo que possa existir mesmo um ser humano, capaz de viver sem matar um único inseto? Ou arrancar uma única flor do chão. Os humanos não deuses por isso por mais bondosos que sejam, acabam cometendo alguns erros, mesmo sem querer. Isso é algo inevitável para se poder viver, mas mesmo esses pecados não são todos purificados com a morte. – Athena

Felipe Amaral

Aspirante a game design, adepto ao culto lovecraftiano, amante de livros, games, cinema e HQ’s. Guarda uma cópia autografada do Necronomicon na estante.

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